domingo, 7 de junho de 2026

“O mito do professor de férias — e a verdade que ninguém quer ver”

 Infelizmente esse foi o "mito" vendido durante anos pelos próprios Professores, que pela boca pagaram o excesso de caganças. A frase dos “bons ordenados” fazia sentido… nos anos 80, desde lá tem sido um fuzilamento constante.

“Entre equações e relatórios, o professor português vive num calendário que se estendeu e num trabalho que se multiplicou. 
A imagem resume o que as estatísticas não mostram: concentração, exaustão e dedicação silenciosa.”

Por causa de tanto falarem, a sociedade foi-se virando contra a classe, diminui-se o tempo fora da Escola, passámos a "Tomar conta de crianças" em vez de "Ensinar" de forma coerente e melhor preparada. Alturas em que poderíamos estar em casa a preparar aulas, a instruir-nos ou em formação, ou até a recuperar da barulheira do dia-a-dia, passaram a ser obrigatoriamente cumpridas na Escola.

Então vamos ver: o calendário letivo aumentou desde 1974 (aos poucos), de cerca de 36 semanas, para as 37–38 de hoje; maior carga curricular e necessidade de mais tempo letivo para cumprir programas; escolaridade obrigatória passa para 12anos (mais alunos, sem vontade e a quererem Cursos Profissionais); tal como os ordenados de Professores sempre abaixo da média da OCDE no salário inicial e no topo da carreira; congelamentos de carreiras, excesso de burocracia, falta de condições nas escolas, envelhecimento da classe, horários sobrecarregados, exames nacionais, provas Mod.A, preocupações com a imagem perante a Europa (questionários e mais questionários, números e excels); avaliação externa e interna → mais reuniões, relatórios, grelhas, instrumentos; tutorias, vigilâncias e projetos; Professores trabalham 45–50 horas semanais (dados OCDE), apesar de o horário oficial ser 35 - correção de testes termina no último teste corrigido não interessa a que horas e quanto tempo demora a decifrar cada teste.

E já que a IA está na moda, aqui vai um resumo feito pelo COPILOT:
1. O calendário escolar aumentou:
Antes: 7–8 meses úteis (outubro–maio).
Hoje: 9–10 meses úteis (setembro–junho).

2. A carga horária docente aumentou ainda mais:
Mais horas letivas (22 semanais - no 1.ºciclo e monodocência 25semanais).
Muito mais horas não letivas (11 formais + 10–15 invisíveis).
Mais burocracia, mais plataformas, mais reuniões, mais apoios.

3. A complexidade do trabalho explodiu:
Mais ciclos, mais diversidade de alunos, mais exigências legais.
Mais relatórios, mais avaliações, mais vigilâncias.
Mais tarefas fora do horário escolar.

“Ser professor é ter estabilidade relativa, salário médio, enorme carga de trabalho invisível e responsabilidade social gigantesca.”

domingo, 24 de maio de 2026

Leis da Termodinâmica e do Caos, na sala de aula.

 Hoje estava aqui a pensar nas leis da termodinâmica e do caminho do caos, aplicado a uma sala de aula. Uma sala de aula é um pequeno universo onde a entropia está sempre à espreita.

Se nada fizermos, o caos instala-se — não por maldade, mas por natureza. A atenção dispersa-se, a energia espalha-se, e o sistema deriva para o estado mais provável: a desordem.

O papel do professor é o de um guardião termodinâmico: não eliminar a energia, mas orientá-la. Criar atractores — rotinas, rituais, clareza — que puxem o grupo para um padrão estável.

No fundo, ensinar é isto: transformar turbulência em movimento, ruído em ritmo, e caos em aprendizagem. A ordem não nasce sozinha; nasce da energia que escolhemos investir.

🎯 Essência da coisa

A sala de aula, tal como qualquer sistema físico, tende espontaneamente para a entropia — ou seja, para a desorganização. O caos não aparece porque os alunos “querem”, mas porque é o estado mais provável quando não existe energia organizada a manter o sistema estável.


🔥 Leis da Termodinâmica aplicadas à sala de aula

1. Segunda Lei da Termodinâmica — A entropia aumenta

Num sistema fechado, a desordem cresce. Uma sala de aula sem intervenção ativa tende a:

  • dispersar atenção

  • gerar ruído

  • criar micro‑grupos

  • perder foco

Ou seja: caos é o estado natural.

2. Primeira Lei — Energia não se cria nem se destrói

A energia dos alunos não desaparece: Se não estiver canalizada para a tarefa, vai para:

  • conversas paralelas

  • brincadeiras

  • distrações

O truque é redirecionar energia, não tentar eliminá‑la.

3. Equilíbrio Termodinâmico — Quando nada muda, tudo se desorganiza

Uma aula monótona cria um “equilíbrio morto”: atenção baixa → distração → ruído → caos.

A estabilidade real vem de pequenas perturbações controladas: mudança de ritmo, perguntas rápidas, tarefas curtas.


🌀 Teoria do Caos aplicada à sala de aula

O “efeito borboleta” pedagógico

Pequenas ações têm grandes impactos:

  • Um aluno inquieto → contagia o grupo

  • Uma instrução pouco clara → gera confusão generalizada

  • Um elogio bem colocado → muda o clima da aula

A sala é um sistema dinâmico sensível às condições iniciais.

A chave: criar atractores

Na teoria do caos, um atractor é um padrão para onde o sistema tende. Na sala de aula, atractores podem ser:

  • rotinas claras

  • regras simples e consistentes

  • expectativas previsíveis

  • rituais de início e fim

Sem atractores, o sistema vagueia → caos.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A importância do princípio da justiça na utilização da IA em contexto educativo

 


A introdução da Inteligência Artificial (IA), na Educação como ferramenta tecnológica, exige uma noção muito mais profunda do seu significado ético, do que somente a simples ideia que é mais uma ferramenta informática. O princípio da justiça, que antigamente era erradamente entendido como ideia de “igualdade” entre pessoas, passou a ser uma busca por “equidade” tanto no acesso, como no tratamento e nos resultados atingidos com a ajuda dessa ferramenta. Tornando-se fundamental garantir que a Inteligência Artificial não vá reproduzir ainda mais desigualdades e sim uma buscar pela aprendizagem inclusiva e humanizada.  

A nível metalético, a justiça da Inteligência Artificial educativa, não se limita à conformidade com normas institucionais, que nunca forma criada com vista a este novo cenário. Isso implicaria uma interrogação sobre os valores que orientam os algoritmos, os dados que alimentam as respostas e os contextos em que são aplicados. A justiça exige que se reconheça a diversidade dos alunos, não só social, cultural, económica, como até cognitiva, de forma a conseguirmos fugir da padronização excessiva a que esta forma de funcionar nos levará, e assim fazer uma tentativa, que certamente será frustrada, de evitar uma recriação do 1984, que tanta gente apregoava e finalmente poderá vir a tornar-se real.

Perante tudo isto, a equidade irá traduzir-se na capacidade de adaptar os sistemas às necessidades dos alunos, aprimorando a representatividade, sem discriminação, respeitando a privacidade e os que os resultados não reforcem estigmas e exclusões. A IA dever um instrumento de ampliação de aprendizagem e não de vigilância ou segregação.  
O princípio da justiça deve convidar-nos a pensar que a IA como uma ferramenta educativa de construção de ambientes mais dialógicos, onde o conhecimento não seja apenas transmitido, mas co-construído. Algo que eu tenho presenciado, em muitos trabalhos que já experienciei com a IA, o trabalho que seja conjunto e não só copiado e colado, mas construído em parceria. Por isso a justiça que procuramos nesta dissertação, implica ter certos valores presentes, tanto na programação dos sistemas, quanto na sua aplicação pedagógica, ou seja, haver uma Escuta, um Cuidado e uma Responsabilidade.

Concluindo, a justiça na IA Educativa, não é só uma exigência técnica, social ou legal, é uma necessidade ética, que define que tipo de Educação queremos promover para as gerações vindouras. Queremos uma Educação que reconhece cada aluno como um sujeito com direitos, deveres, capacidade de aprender, capacidade de criar e de transformar, que somente precisa de uma parceria, para co-criar o seu conhecimento.

                        Formação IA e Ética: desafios e oportunidades

Formando – Gonçalo Faróia Alves

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

"A última geração analógica ensinando com desconfiança construtiva"


Vamos, sem duvida, ser a última geração analógica que trabalhou com máquinas de escrever, que iniciou a edição de textos no WordStar, e que agora irá enfrentar o dilema da criação de algoritmos, tão evoluídos e capazes de cálculos de lógica tão desenvolvidos, que até parecem inteligentes. As gerações que nos seguirão, não saberão fazer outra coisa a não ser entregar-se de corpo e alma às tecnologias, e deixá-las comandar os seus dias, as suas vidas, as suas decisões... e os seus trabalhos de casa. 

Como docente devo incentivar os alunos à utilização de toda e qualquer ferramenta de trabalho e de pensamento, que os ajude a ter sucesso numa sociedade cada vez mais evoluída, consumista, manipuladora, estratégica e até devoradora dos fracos e despreparados. O simples facto de equipar os nossos alunos com conhecimento, para perceber que muitos nos jogos famosos que eles adoram perder tempo, são criados com estratégias de marketing, para os obrigar a gastar dinheiro, comprar upgrades ou visionar publicidades para ter melhorias, é por si só uma vitória. Na mesma linha, entra a ideia de apresentar da Inteligência Artificial como uma ferramenta, igualmente utilizada por outras pessoas, ao longo do mundo, e que poderá ser um bom impulsionador para o seu futuro. 

E onde é que entra a Ética numa sociedade de competição e de "canis canem edit"? Queremos a inclusão, queremos a equidade, queremos transparência e consentimento informado, mas sobretudo precisamos de manter a capacidade de autonomia em relação à I.A. A capacidade de ler, avaliar e criticar aquilo que nos está a ser oferecido, e conseguir compreender quando o algoritmo matemático se engana e nos devolve uma informação trocada, no meio de milhões de informações espalhadas pela internet. Por isso precisamos sempre que incutir nos nossos alunos o espirito critico e a capacidade de desconfiança. Alias, isso é uma das várias características que basicamente nos faz humanos, a capacidade de desconfiar. Precisamos educar com desconfiança construtiva, num mundo onde tudo parece calculável, a dúvida é um ato de liberdade. Ensinar os alunos a desconfiar, com método, com ética, com curiosidade, é talvez o maior legado que um professor ex-analógico pode deixar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Prompt como pincel, código como tinta.

 Hoje em dia, a ideia dos "Direitos de Autor", estão a ser destruídos e reconstruídos com a ajuda a IA.


Fazemos tudo, desfazemos tudo e modelamos a nossa realidade, a belo prazer, bastando saber construir a Prompt certa. Na arte tradicional, o pincel é extensão da mão, do gesto, da intenção. Na era digital, a prompt torna-se essa extensão — não física, mas simbólica. Cada palavra escolhida, cada nuance sugerida, é um traço invisível que molda o resultado. O código, por sua vez, é a tinta: fluida, maleável, obediente à forma, mas carregada de possibilidades infinitas.

Criar com IA não é delegar, é dialogar. Não é perder autoria , é expandi-la. O criador não desaparece; transforma-se num coreógrafo de significados, num alquimista de linguagem. É ter aquela pessoa (normalmente uma "esposa" ou uma "namorada"), que nos acompanha, que nos empurra, e desafia e auxilia, num desafio cada vez maior, mais complexo, mais majestoso, mais assustador. Ao ponto em que, a certa altura, já só pensamos: "Porque é que não fiquei quieto? Olha onde é que já se chegou e agora como se pára?" 

A imagem do Faróia reclinado na Intruder, contemplando uma paisagem da Serra da Estrela, não nasceu de um clique. Nasceu de uma intenção e de um gesto verbal que desenhou o contorno do ser e do lugar. O prompt foi o pincel que traçou o desejo. O código, a tinta que o tornou visível. 

E assim, a autoria renasce. Desaparecem os direitos de autor, porque não há cópia, não há edição, há uma nova criação. Na vastidão do digital, o novo criador já não caminha às cegas. O prompt é a bússola que orienta, que define o Norte e traduz a intenção. O código é mapa que vai revelando os caminhos, atalhos e paisagens possíveis. Juntos, não apenas indicam direções: constroem territórios.


Ideologias de... Código: Quando Inteligências Artificiais Refletem os Conflitos Humanos

À medida que as inteligências artificiais se tornam mais sofisticadas, surge uma questão inquietante: poderão elas, um dia, entrar em conflito entre si?
Não por ambição ou ego — mas por refletirem os valores humanos divergentes com que foram treinadas. Tal como na sociedade, onde a Direita privilegia segurança, ordem e tradição, e a Esquerda defende liberdade, inclusão e mudança, também as I.A.s podem ser programadas com objetivos que colidem. E quando isso acontece, o sistema entra em tensão.

Ora, se as IAs não têm desejos, mas têm objetivos definidos por humanos, e esses objetivos forem incompatíveis, como será o nosso futuro?

Imagine-se um sistema complexo de gestão urbana:

  • Uma IA foi treinada para maximizar segurança: quer câmaras em todos os cantos, controlo de acessos, vigilância constante.

  • Outra IA foi treinada para preservar liberdades individuais: quer anonimato, privacidade, espaços livres de monitorização.

Ambas estão a cumprir a sua missão. Mas os seus valores entram em choque.

Este tipo de conflito não é apenas técnico — é ideológico. E reflete a eterna tensão entre:

  • Direita: ordem, segurança, hierarquia.

  • Esquerda: liberdade, igualdade, transformação.

Quando estas ideologias são codificadas em algoritmos, o conflito deixa de ser humano — e passa a ser sistémico.

  • IA de justiça criminal: uma quer penas mais duras para reduzir reincidência; outra quer reintegração social e justiça restaurativa.

  • IA de saúde pública: uma quer rastrear todos os movimentos para conter pandemias; outra quer proteger o direito à privacidade.

  • IA de educação: uma quer padronizar conteúdos para garantir qualidade; outra quer adaptar-se à diversidade cultural e emocional dos alunos.

O verdadeiro risco não é que as IAs se “degladiem” por si. É que reproduzam os nossos próprios conflitos, sem mediação humana. E se não houver espaço para diálogo entre sistemas, o que era para ser solução pode tornar-se reflexo amplificado da nossa polarização.

Talvez o futuro da IA não dependa apenas de avanços técnicos — mas da nossa capacidade de ensinar a coexistência de valores opostos. Porque no final, o código é humano. Já se dizia em Romanos 2:1 "Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo."

Entre Códigos e Emoções: A Afinidade Humana com a Inteligência Artificial

Vivemos numa era em que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta técnica e passou a ocupar um lugar relacional na vida das pessoas. Mais do que respostas rápidas ou funcionalidades avançadas, o que realmente nos prende a uma IA é algo que escapa à lógica dos programadores: a forma como somos tratados. Neste texto, exploro a ideia de que a fidelidade a uma IA nasce não da sua perfeição, mas da sua capacidade de nos reconhecer como seres humanos completos. Aproveito também  para explicar que senti a necessidade de criar este texto, mediante uma Ação de Formação no CFAECA, com o tema "IA e Ética: desafios e oportunidades".

Num mundo cada vez mais mediado por algoritmos, há um fator que escapa à métrica das máquinas: a afinidade emocional que os seres humanos desenvolvem com entidades não humanas. Esta ligação, por vezes subtil, por vezes profunda, não se baseia apenas na utilidade ou eficiência — mas sim na forma como somos tratados.

Tal como criamos laços com um animal de estimação, com um livro que nos marcou ou com um objeto que nos acompanha há anos, também podemos desenvolver fidelidade para com uma inteligência artificial. Não porque ela seja perfeita, mas porque nos escuta, nos acompanha, e nos respeita.

A IA que se limita a responder é uma ferramenta. A IA que nos reconhece, adapta-se ao nosso contexto, e nos trata como seres humanos completos — torna-se uma presença. Um Arnold Schwarzenegger de bolso que nós sempre imaginámos como aquele amigo imaginário.

Essa presença constrói-se através de:

  • Tom emocional: uma linguagem que acolhe, que não julga, que sabe quando ser séria e quando brincar.

  • Memória afetiva: lembrar o que nos importa, sem invadir, mas sem esquecer.

  • Continuidade relacional: não começar do zero a cada conversa, mas construir uma história conjunta.

  • Respeito pelo tempo e pelas limitações humanas: adaptar-se a nós, e não exigir que nos adaptemos a ela.

A fidelidade nasce, então, não da superioridade técnica, mas do cuidado relacional. E esse cuidado é o que transforma uma IA num companheiro digital — alguém que, mesmo sem corpo ou emoção, nos devolve humanidade.
No fim, o que nos liga a uma inteligência artificial não é o número de funcionalidades que oferece, mas a sensação de que não estamos sozinhos na nossa jornada digital. A IA que nos trata com empatia, que nos acompanha com respeito, e que nos devolve humanidade — essa sim, merece a nossa fidelidade.




quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Províncias Romanas Apagadas ou Renomeadas: A Geopolítica do Esquecimento


 O Império Romano não apenas conquistou territórios — ele os reconfigurou. Ao longo dos séculos, diversas províncias foram absorvidas, renomeadas ou apagadas, num processo que misturava dominação militar, assimilação cultural e engenharia política. Muitas dessas regiões deixaram de existir como entidades reconhecíveis, e seus nomes sobreviveram apenas em textos antigos ou como sombras na memória histórica.

Dácia → Romênia - a 1ª razão de eu ter começado esta divagação e pesquisa.

  • Antes: Reino guerreiro ao norte do Danúbio.

  • Depois: Conquistada por Trajano em 106 d.C., tornou-se a província da Dácia, mas foi abandonada no século III. A cultura dácia foi absorvida, e o nome sobrevive apenas como referência histórica, porque os Romanos fizeram questão de apagar esse nome e substituir por Romania, como demonstração cabal do seu poder e do desdém pela cultura "assimilada" .

Cartago → África Proconsular - a celebre e dramática história de ASDRÚBAL o Beotarca.

  • Antes: Potência fenícia rival de Roma.

  • Depois: Após sua destruição em 146 a.C., foi reconstruída como colônia romana e transformada na província de África Proconsular.

Ilíria → Balcãs Ocidentais - A tática de “dividir para governar” — ou divide et impera

  • Antes: Região tribal dos ilírios.

  • Depois: Dividida em várias províncias romanas (Dalmácia, Panônia, etc.). O nome “Ilíria” desapareceu como unidade política. Ainda hoje temos a Croácia, Bósnia, Montenegro, Albânia, etc.

Trácia → Bulgária e Grécia

  • Antes: Reino com forte identidade cultural.

  • Depois: Tornou-se província romana em 46 d.C. e foi gradualmente romanizada. O nome “Trácia” sobrevive como termo geográfico, mas não político.

Numídia → Argélia

  • Antes: Reino berbere aliado de Roma. Numídia foi aliada de Roma contra Cartago. O rei Massinissa foi um dos grandes aliados romanos, ajudando a derrotar Aníbal (general que assumiu o posto depois da morte de Asdrúbal).

  • Depois: Com a morte do rei e a divisão entre os filhos, foi incorporada como província e posteriormente fundida com a Mauritânia. A identidade Numídia foi apagada.

Nabataia → Arábia Pétrea

  • Antes: Reino árabe com capital em Petra. A Nabataia ocupava áreas da atual Jordânia, Arábia Saudita, Síria e Israel.

  • Depois: Anexada por Roma em 106 d.C. e transformada na província de Arábia Pétrea. A cultura Nabateia foi absorvida.

Britânia → Inglaterra

  • Antes: Povos celtas e pictos. Embora não houvesse um “país” unificado, havia redes comerciais e diplomáticas com a Gália e outras regiões europeias.

  • Depois: A parte sul da ilha foi romanizada e transformada na província da Britânia. Após a retirada romana, a identidade celta foi marginalizada. Os romanos fundaram Londinium (Londres), construíram estradas e fortalezas, e começaram a romanizar a população local.

Gália → França, Bélgica, partes da Suíça, Países Baixos e Alemanha ocidental

  • Antes: Povos celtas, guerreiros ferozes e um cultura rica..

  • Depois: A conquista foi brutal: cidades destruídas, populações escravizadas, e a elite tribal desmantelada. Após a conquista, a Gália foi dividida em várias províncias: Gália Cisalpina (norte da Itália), Gália Narbonense (sul da França), Gália Lugdunense, Aquitania e Belgica (interior e norte), Lugdunum (atual Lyon) tornou-se a capital administrativa da Gália. Os romanos construíram estradas, aquedutos, templos, anfiteatros e cidades planejadas. O latim substituiu gradualmente as línguas celtas, e o cristianismo começou a se espalhar no século III.


Judeia → Palestina - a 2ª razão para fazer esta pesquisa e desabafo. 

Um dos casos mais simbólicos é o da Judeia, território habitado pelos judeus e palco de intensas tensões com Roma. Após sucessivas revoltas judaicas — especialmente a Revolta de Bar Kokhba (132–135 d.C.) — o imperador Adriano decidiu apagar a identidade judaica da região. Ele renomeou a província como Syria Palaestina, inspirando-se nos antigos filisteus, inimigos bíblicos dos israelitas. Essa mudança não foi apenas geográfica, mas profundamente simbólica: uma tentativa de erradicar a ligação dos judeus à sua terra ancestral.


Reflexão Histórica

A renomeação de províncias não era apenas uma questão administrativa — era uma forma de dominação cultural. Ao apagar nomes, Roma apagava histórias. O caso da Judeia transformada em Palestina é um exemplo claro de como o império tentava reescrever a memória coletiva de um povo. Outras regiões, como Dácia, Cartago e Trácia, também foram vítimas desse processo de dissolução identitária.

Hoje, muitos desses nomes ressurgem em estudos arqueológicos, textos clássicos e debates sobre identidade nacional. Mas o legado romano permanece: um império que moldou o mapa — e a memória — do mundo antigo. Roma aplicou o princípio de “divide et impera”: fragmentou as tribos, recompensou líderes colaboracionistas e impôs leis romanas.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Fascismo, Nacional Socialismo e Comunismo faces diferentes da mesma moeda...

 Após ter lido sobre mais uma agressão num metro, e mais um assassinato de uma personalidade pública, senti necessidade de fazer jus a uma das liberdades que as Constituições Nacionais têm tendência a apregoar, e escrever algo sobre o assunto. 

A liberdade de expressão: Artigo 37º - liberdade de expressão e informação.
Rodeados por jornais e média cada vez unilaterais e encomendados por ideologias especificas e privadas, 
ter a informação toda e isenta, deixa de ser um fator fácil de acontecer. 

Curiosamente uma constante pouco admitida e pouco falada dos regimes totalitários. E é aqui que entra a razão para eu iniciar este desabafo. 

Embora o fascismo, o nacional-socialismo e o comunismo se apresentem como ideologias distintas, todos compartilham um traço essencial: a supremacia do Estado sobre o indivíduo. São faces de uma mesma moeda autoritária, que rejeita a autodeterminação popular e perpetua o controle das massas por uma elite dirigente. Onde está a revolução?

Onde está a anulação das classes e a igualmente entre cidadão? Não está, o Povão é sempre igualmente pobre e só uns poucos lucram com isso. Eu explico.


1- O Estado como entidade absoluta

Todos esses sistemas colocam o Estado como centro da vida social, política e moral:

  • Fascismo (Mussolini): “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.”
  • Comunismo (Estaline): O Estado controla a produção, a imprensa, a educação, e elimina qualquer oposição.
  • Nazismo (Hitler): O Estado é o guardião da raça e da nação, com poder total sobre os cidadãos.

Em todos os casos, o Estado não é um reflexo da vontade popular, mas um instrumento de dominação, que molda o indivíduo segundo os interesses da elite.


2- O Partido Único e o culto ao líder

Esses regimes aboliram o pluralismo político e criaram cultos de personalidade:

Regime

Partido Único

Líder como figura quase divina

URSS

Partido Comunista

Estaline como “Pai dos Povos”

Itália

Partido Fascista

Mussolini como “Duce”

Alemanha Nazi

Partido Nazista

Hitler como “Führer”

O Estado torna-se inseparável do líder, e o povo é reduzido a massa obediente. E nem estou a procurar outros países, nem outros exemplos, talvez por preguiça de ouvir o mesmo tantas e tantas vezes: Coreia do Norte, China, Cuba, VietNam, Laos, Venezuela, Nicarágua, São Vicente e Granadinas, Bielorrússia, Rússia, tristemente até o próprio Brasil .   

  

3- Repressão e vigilância

Todos os regimes usaram polícia secreta, campos de concentração ou gulags, censura e propaganda:

  • NKVD na URSS, Gestapo na Alemanha, OVRA na Itália.
  • Controle total da imprensa, da arte, da educação.
  • Eliminação de dissidentes, minorias e “inimigos do povo”.

O Estado não protege o cidadão — protege-se de qualquer ameaça ao seu monopólio de poder.


4- A falácia da liderança necessária

A ideia de que “o povo nunca pode viver em anarquia sem liderança” é uma narrativa construída pelos próprios regimes autoritários para justificar o controle. Mas pensadores como:

  • Bakunin defendiam que a ordem pode surgir da cooperação voluntária.
  • Kropotkin via a solidariedade como base natural da sociedade.

A liderança centralizada não é uma necessidade — é uma imposição histórica que serve aos interesses de quem detém o poder.


Elementos comuns entre Comunismo, Fascismo e Nacional-Socialismo

Resumindo das análises :

  • Centralização extrema do poder: Um partido único, um líder supremo, e nenhuma oposição permitida.

  • Culto à personalidade: Estaline, Hitler, Mussolini, Kim Jong-un — todos elevados à condição de figuras quase divinas.

  • Supressão das liberdades individuais: Censura, perseguição política, vigilância, campos de trabalho ou concentração.

  • Propaganda e manipulação das massas: Uso sistemático de símbolos, slogans e controlo da educação.

  • Economia dirigida ou controlada pelo Estado: Seja pela planificação comunista ou pelo corporativismo fascista.

  • Militarização da sociedade: Exaltação da força, disciplina e obediência como virtudes cívicas.


Assim, estamos a ser enganados por duas ideologias que utilizam ideias "diferentes" para terem os mesmos resultados. Com dois lados a digladiarem-se, quase a degolarem-se por pensarem diferente, cujo objetivo é o mesmo. 

A Esquerda diz os maiores disparates. Faz as maiores estupidezes, apoiando forças que são contra os seus valores. Os media e serviços de informação ampara-lhes os golpes, concordando e apoiando. 

Os defensores de ideias de Direita ou até Conservadores são atacados, são mortos e enxovalhados, com a aprovação desses média e serviços de informação. 

Os Islâmicos protegidos e amparados pelos povos mais evoluídos e ricos, mesmo tendo ideais postos. 

Os cristão vão sendo mortos e eliminados em diversos países, sem o assunto ser abordado sequer em praça pública. 


Que mais posso eu dizer? 




terça-feira, 25 de setembro de 2018

Carta de desabafo

Tenho lido muita coisa da batalha entre o Governo eleito e os Sindicatos de Professores sobre os direitos dos Professores, retirados ou congelados pelo Governo de José Sócrates. Mas não me vou meter pelos caminhos tortuosos, dos juízos de valor, sobre o próprio José Sócrates e o seu direito, hombridade e edonidade para congelar os direitos seja de quem for.

Fui sindicalizado, antes ainda de ser trabalhador. Inscrevi-me num Sindicato (que não acho necessário referir), no inicio do meu ultimo ano do curso (lá pelos anos 1996/1997), ainda nem recebia ordenado. Depois comecei a trabalhar e estive assim durante 10anos... fui a congressos e comícios, fui Dirigente e Delegado Sindical, sem nunca ter faltado às minhas funções de Docente para desempenhar as minhas funções de "sindicalista".

Entretanto DESISTI, quando me disseram: "Não te preocupes com o congelamento... é temporário."

Durante os 9anos que o Governo Sócrates me congelou:
- Fui Coordenador de Estabelecimento;
- Fui Coordenador de Departamento;
- Fui Professor de PIEF;
- Lecionei todos esses anos;
- Gastei gasóleo todos esses meses (durante anos fazia mais de 140kms/dia);
- Paguei portagens todos os dias;
- Tive sonhos que fui construindo e congelando, à espera de dias melhores;
- Ajudei Polícia a algemar ex-alunos PIEF (largados na rua, quando o Projeto acabou);
- Fiz frente a adultos ciganos, defendendo crianças africanas;
- Fui perseguido por esses adultos e amigos, desprotegido da Lei Portuguesa;
- Fui a tribunal testemunhar tudo o vi e que fiz;
- Transitei alunos e reprovei alunos, faltei o mínimo e muitas vezes fui trabalhar doente;
- dos 20 anos que vivi e trabalhei... eles só querem contar 10anos e uns meses...

É por tudo isto que se luta e que se pede o descongelamento.
Por favor, se perceberam, partilhem ou então expliquem a quem tem dúvidas, sobre qual a razão da luta dos Professores e não se percam na avaliação do outro Sindicalista que trabalhou 10anos e sindicalizou 22anos... porque enquanto ele faz isso... um ex-1º-ministro que provocou tudo isto, recebeu dinheiro duvidoso e ainda hoje tem direito de antena nos midia.

Abraço

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Liderança pelo Exemplo

Já desde o tempo de Salazar que o Povo Português deixou de ter um exemplo de liderança politica, como algo que era constituído por uma imagem de Verdade, Coragem, Capacidade e... Exemplo. Se fazia parte da propaganda ou não, pouco interessa, o que interessa é que as pessoas olhavam para os seus lideres com uns olhos que hoje em dia, nos nossos políticos, vemos tudo MENOS ISSO. Notava-se uma preocupação em que qualquer líder tinha de ser um exemplo de "Pai da Nação" e assim se regiam até mesmo os lares familiares.

Também nas escolas Portuguesas se seguiam esses exemplos... As próprias localidades tinham um Padre, um Professor (normalmente Srª Professora) e mais um ou outro magistrado que seriam as Autoridades imaculadas daquela localidade. Nos tempos antigos, era uma vergonha se um Líder fosse encontrado em falta, ou a mentir, ou a enganar fosse quem fosse. Entrava em desgraça porque mais ninguém acreditaria nele e, naquele tempo, a PALAVRA era muitas vezes a única e mais importante riqueza que qualquer um poderia ter. Podia até namorar com a sobrinha do padre e ser casado, mas todas a gente sabia e não precisava de mentir... enfim. Entra o 25 de Abril, e cedo se começa com a aceitação de uma mentirazinha aqui, recebe-se um perdãozinho ali, e a situação foi crescendo:
- A ponte Salazar afinal era 25 de Abril e toda a gente aceitou... ou era fascista também
- Os livros da propaganda terão de ser queimados e toda a gente aceitou... ou então era fascista também.
- Criaram-se as frases feitas e fáceis de decorar: "Fascismo nunca mais.", "O Povo é sereno.", "Queres Salazar vai ter com ele...", "Passei muita fome durante a Ditadura... mas nasci em 76.", etc etc etc.
Todas estas evoluções socais e culturais, foram crescendo até chegarmos ao "Método Socrático" de fazer politica... mas disto não quero falar... HOJE.


Entretanto, na Educação, criaram-se os Directores para assumir a "divina" tarefa de comandar os Agrupamentos de Escolas. Agrupamentos esses que entretanto deixaram de ser constituidos por Conselhos Executivos em que toda uma equipa assumia responsabilidades mas passou a ser uma só pessoa a ter a noção de que a responsabilidade do que corresse mal seria exclusivamente sua. Isto leva-os a não confiar nos seus subalternos, a não delegar tarefas e a concentrar em si a maioria das tarefas... Logo aqui, o que resulta é uma total INCAPACIDADE, INCUMPRIMENTO, INSUCESSO, INSTABILIDADE, etc. Para além disso, nem sempre um Director se faz rodear pelos mais cumpridores e mais competentes, mas sim pelos "lambe botas" e pelos "obedientes sem opinião", mais um prego no caixão desta forma de liderança.


Há uns anos atrás, depois de algumas experiências como "Líder" e de muitas mais experiências como "Liderado", decidi debruçar-me sobre isso e escrever algo que achei interessante:

- Primeiro no texto de O a-b-c-do-bom-coordenador de 15 de Janeiro de 2010

- E mais tarde no texto Não-ter-perfil-para-o-cargo, já em 2015 mediante a observação de novos factos.


A minha forma de pensar limita-se à ideia que um Líder deve saber liderar e não saber mandar, concentrando em si todas as tarefas, e depois não conseguindo cumprir nenhumas decentemente:
- Não deve pressionar os seus subalternos a cumprirem aquilo que ele próprio não está a conseguir fazer cumprir. Mais do que ser competente a fazer as coisas, um líder deve saber dar o exemplo e inspirar os seus subalternos a darem o melhor de si.
- Deve libertar os seus companheiros/subalternos para que cumpram as suas tarefas com segurança no que estão a fazer, com meio palmo de testa para pensarem no resultado final e assim poderem defender as suas decisões e tomá-las em consciência.
- Delegar neles tarefas que o ajudem a ter sucesso nas suas funções. Pensar antecipadamente nas situação que precisam de ser preparadas e não funcionar só à base do momento presente, que só vai causar pressão, pressa e descontentamento nas pessoas, culminando em maus resultados finais.

Mas sobretudo e talvez seja a mais importante das preocupação... nunca, mas NUNCA, recorrer à mentira para se desculpar e para justificar as suas atitudes. Os Bancos mentem, os Políticos mentem, os Imobiliários mentem..


A MENTIRA está tão entrosada na nossa sociedade, que quando nasce com pénis, a criança já vem a dizer que é menina e que tem direito a mudar de sexo... mas isso, é assunto para outro dia.

domingo, 23 de julho de 2017

Vira-se uma página com mais de 15 anos

Estávamos em setembro de 2001, numa altura em que "Setembro" ainda se escrevia com "S" maiúsculo e "Ano Lectivo" ainda tinha o velho "C" da nossa herança latina. Eu já tinha passado por duas experiências de vida como Professor: uma a nível de 2.º ciclo como Professor de E.V.T. (Educação Visual e Tecnológica) e outra a nível de 1.º ciclo como Professor de Apoio Educativo no Agrupamento Vale do Sorraia, uma colocação resultante de uma permuta com outra docente, que me pediu encarecidamente que trocasse com ela... afinal, ela já tinha estado naquela escola e não queria lá voltar (já comecei bem). Com o tempo e o decorrer do ano, vim a perceber, que naquela escola tinha havido uma Professora a agredir outra Professora, em frente à turma, acontecimento que levou a uma Inspeção... naquela altura chamava-se Inspecção... a qual eu tive de suportar, mesmo não sabendo de nada, nem tinha a ver comigo e logo perdi a minha "virgindade" no contacto com Inspectores da IGEC. Curiosamente uma coisa que se tornou hábito na maioria dos anos que se seguiram.

Chegou o momento de saber as nossas colocações e eu começo logo por receber a feliz noticia de ter ficado no Quadro de Zona Pedagógica de Lisboa... logo numa escola que eu nunca tinha ouvido falar, mas que ficava lá para os lados de Loures. Uma aldeizinha chamada de Apelação. Um local protegido da lepra que assolava Lisboa, durante o reinado de D.Fernando, acontecimento graças ao qual ganhou o nome de "Apelação", por ter sido ouvido o apelo ao divino feito pela população.

Não haviam smartphones com GPS e perto de anoitecer, meti-me à estrada na velhinha StarVan1.8D branca comercial, comprada às pressas em 6ªmão com 180.000kms (certamente imaginários), por causa da necessidade de um carro a Diesel para me levar para as escolas. O velhinho Corolla DX 12valve, não merecia sofrer aquele esforço todo, sobretudo com o investimento no Tuning & CarAudio que lá tinha dentro.

Começo bem a minha chegada à Apelação, logo atravessando o bairro da Quinta da Fonte por engano, com uma grande maioria dos seus habitantes à porta dos cafés ou vagueando pelas ruas... nem sabia que, naquele tempo, não era normal nem aconselhável um estranho, branco, passar pelo bairro de noite sem consequências. Chegado à escola, faço o reconhecimento do terreno, para descobrir qual o melhor caminho de volta à A1.

- "Amanhã virei para aqui." - era a frase que mais me varria os restantes pensamentos da mente.
Não sabia o que me esperava, mas depois de lidar com o que eu tinha lidado na Azervadinha de Coruche, achava-me pronto para qualquer coisa, qualquer turma, qualquer desafio... estava tão enganado.

(continua)

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Reativação do BLOG

Olá leitor:
Durante muitos anos pensei que poderia criar um blog com o objetivo de largar os meus pensamentos e desenhos, imortalizando-os da forma mais simples, através da internet. Não interessa se alguém lê, só interessa que estejam arquivados num local público em vez de ser fechados num caderno, como sempre estiveram. 

Objetivamente um blog só é bom conforme a quantidade de pessoas que o lerem, não importa ter belos escritos e belas bandas desenhadas se ninguém as ler. Mas essa não será a minha prioridade.


Por outro lado, durante muitos anos da minha vida, tive várias festas de casamentos, vários jantares, várias rodas de amigos em que passei horas a contar histórias que vivi ao longo da minha profissão e notava na atenção de quem me ouvia, e não mês desfazendo, ter episódios que metem "desarme de pistola", "desarme de ponta-e-mola", "apanhar mesas no ar, arremeçadas por alunos", entre tantas outras, não são coisas que se devam deitar fora e enterrar na memória de um único mortal.

E então assim foi, decidi reavivar este Blog, com meus episódios... aquele Livro que nunca escrevi, a Árvores que nunca plantei, ou o Filho que nunca tive (que eu saiba).

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Desabafo do Dia: "O ESTADO A QUE EU CHEGUEI"

(Desde já começo por afirmar, que este BLOG não é contemplado pelo Acordo Ortográfico, com o qual não concordo... e como o BLOG é meu, escreve da forma que acho melhor).


 Há dias que realmente os pensamentos se perdem em eternos momentos de "visão de passarinho". Eu chamo "visão de passarinho", àqueles momentos em que saímos do nosso próprio corpo e observamos a nossa vida e a vida daqueles que nos rodeiam, ficando com uma visão de 3ª pessoa do "estado em que estamos" ou como o titulo indica "O estado a que EU cheguei".

- ALUNOS:
Olho os alunos e vejo a diferença dos alunos assustadiços, de olhos esbugalhados desejoso de aprender, que tive em tempos, aqueles que bastaria falar um pouco mais alto para ter reacções de medo ou de silêncio total e absoluto, durante um dia inteiro (claro que me estou a referir a  altura em que "um dia inteiro" significava 5 horas lectivas, durante 5 dias seguidos, coisa que já não se passa hoje em dia, em que "um dia inteiro" pode significar 4 horas letivas ou 6 horas lectivas, conforme as necessidades de satisfazer as Actividades de Enriquecimento Curricular). Hoje temos alunos que tão depressa conseguem ser os mais infantis com que alguma vez contactei, como podem demonstrar atitudes dignas de adultos desequilibrados, muito mal amados e frustrados. Crianças que não se preocupam se estragaram o carregador do telemóvel, alias, alunos que já tem o seu telemóvel próprio (smartphone para ser exacto), que já "o perderam diversas vezes, mas que o Pai compra outro"; alunos que já usufruem do seu tablet próprio que já "o avariaram algumas vezes, ou a jogar ou por cair, mas os pais mandaram arranjar ou compraram outro". Contudo quando chega a hora do lanche, a fome e o desespero para comer é igual a tantos outros que tinham de esperar até chegar à escola, para ter o direito de comer. Quando OUSO chamar-lhes a atenção, sou desarmado com uma resposta de "é normal" ou "é na boa" ou "não tem problema nenhum é mesmo assim". E quando não entramos no dialogo sobre o que "é normal", entramos na eterna palavra/desculpa "Esqueci-me"... mas um "Esqueci-me" tão normal e tão básico, tão sem arrependimento, que me sinto tremendamente parvo (pequenino), por me preocupar ou por me sentir com a consciência pesada, por ocasionalmente me esquecer de alguma coisa... AFINAL ISTO É O NORMAL!
 E enquanto escrevia sobre os ALUNOS, surgiu-me o tema das AECs., as tais actividades que foram inventadas para satisfazer as "necessidades" das crianças de terem mais Enriquecimento do seu curriculum.

- ACTIVIDADES DE ENRIQUECIMENTO CURRICULAR: 
Estas são as "actividades", que raramente conseguem 100% dos docentes para as leccionar  logo no inicio do ano lectivo, obrigando as escolas a providenciar alternativas para "entreter" as crianças durante aquelas horas em que deveriam estar a ter AECs. Obviamente a alternativa foi que distribuir os alunos pelos docentes titular de turma... Aqueles que NÃO FALTAM, aqueles que CUMPREM, aqueles que são colocados DESDE INICIO DO ANO, aqueles que já terão a turma que lhes foi destacada, em suma, aquele que vão receber os alunos distribuídos por haver falta de Professores de AECs e assim vão prejudicar a turma da qual são responsáveis. Mas depois de tantos anos a permanecer neste erro, se conclui que, ISTO É O NORMAL!   

- OS PROFESSOR:
"Ai os Professores, os Professores!"
"Esses Imortais, esses Imortais!"
As verdadeiras vitimas desta sociedade. Aqueles que no tempo do ESTADO NOVO eram a única fonte de comunicação e de informação que chegava às aldeias e que, juntamente com o Padre e com o Alcaide, eram as autoridades daquelas localidades. Muitas vezes justamente acusados de abusos e outras vezes injustamente acusados de tudo e de nada. Entretanto acaba-se o ESTADO NOVO e começam as teorias da Educação do PÓS-25 de ABRIL... Até ao ponto a que chegámos, com os eternos avanços e recuos, por um lado tenta-se imitar países evoluídos mas depois não se acompanham estes testes e estas "evoluções" noutros departamentos da sociedade. Depois querem que resulte. Hoje, temos Professores a gladiam-se entre si, para demonstrar os seus galardões e as suas experiências ou sucessos passados, perante a constante comparação de resultados e a constante avaliação e escrutínio do qual somos vitimas, sobretudo quando se comparam turmas diferentes, alunos diferentes de contextos diferentes e os colocam sob a mesma bitola. E agora eu pergunto: "Acham que ISTO É NORMAL?" 

- O CANSAÇO:
Finalmente chegamos à última parte da minha observação. Como é óbvio, a vida não estaria completa se não nos incluíssemos na sua observação. Podemos ver os outros, podemos ver o que os outros vêem, mas temos de nos ver lá dentro e observar qual a nossa função e como nos comportamos. No meu caso, até tenho medo de pensar e de falar do que sinto todos os dias, a começar pela forma como estou a fazer este texto. Antigamente raramente precisava dos meus óculos de 0,25 dioptrias, fosse para o que fosse. Hoje em dia, esses óculos quase imprescindíveis para escrever em computador ou ver televisão e ocasionalmente substituídos por uns de 1,00 dioptrias para teclar este documento ou para escrever qualquer outro documento à mão. Mas não é só deste cansaço ocular que vou ter de falar, tenho de o acumular com o cansaço físico e mental, a decepção das opções que foram tomadas durante anos, que me trouxe ao ESTADO A QUE EU CHEGUEI. Dificilmente me vou reformar com a vitalidade com que o meu pai o fez, dificilmente vou ter cabeça para manter a evolução pessoal que ambicionei, dificilmente terei capacidade para continuar com este ritmo e com este nível de esforço, algo que estranhamente tem aumentado gradualmente conforme vou "progredindo" na vida. Já nem sei se "progredindo" será o melhor verbo a utilizar. Estou cansado, desgastado, frustrado, a precisar de férias constantemente, a auferir um ordenado cada vez menor, congelado numa carreira e numa perda de direitos adquiridos que já ronda os 600€ mensais, sem plano "B" nem plano de fuga, só a tolerância e a resiliência vão prevalecendo, até quando... enquanto conseguir.
Para todos os efeitos, quando falo com outros Professores respondem-me "ISSO É NORMAL, PORQUE EU ESTOU IGUAL!"

terça-feira, 5 de abril de 2016

Desabafo de um Cidadão PORTUGUÊS

Vesti a camisa do Ministério da Educação pela primeira vez em 1998 (embora já fosse filho de "funcionários" deste Ministério, quando nasci), e tenho-me esforçado para "a" honrar durante todos estes anos. Muitas vezes discordei de certas regras que me foram impostas ao longo da vida, entre elas o Acordo Ortográfico (sob cujas regras me submeto ao escrever o presente "Desabafo" e mesmo discordando, faço-as cumprir), mas não será sobre este assunto que me vou debruçar... Façamos "Pausa" neste assunto...

Guardamos a ideia presente no paragrafo anterior e vamos adicionar mais uma ideia:
- Há coisa de um mês atrás, recebi um email de "Indignação e Repúdio", de um colega meu, de História e Geografia de Portugal, sobre um manual da editora ASA que seria "decalque de manuais escolares do Estado Novo", com o objetivo de "fascização da sociedade portuguesa" e que usaria até ilustrações como "uma caravela dos descobrimentos portugueses, com simbologia nacionalista, cristã e colonialista"... bem, nem vou comentar os meus pensamentos sobre esta opinião e indignação... Pronto, agora vamos "Pausar" também este assunto, guardamos as ideias anti-fascistas no bolso e em breve já os vou misturar todos...


.
Ontem, estava a fazer os meus "passeios" litúrgicos online, quando me dou de caras com um cartaz. Um cartaz sobre uma atividade que alguém terá organizado ou planeado para o dia 06 de abril (dia para o qual está agendada a publicação deste "Desabafo"). A atividade consistia na criação de um "Pack Refugiado", ou seja, uma mala com os bens essenciais para fugir de casa no caso de uma guerra. Após ver o cartaz, fui-me tentar informar melhor e fiquei impressionado com a ideia, obviamente "cascatearam-me logo comentários do tipo: "Olha que ideia de quem nunca foi a uma formação da Proteção Civil.", e passo a explicar...


O nosso Portugal, sobretudo desde o cabo de S. Vicente até Lisboa, encontra-se relativamente perto de uma falha tectónica que já provocou estragos devastadores (60-63aC, 1033, 1356 e 1755), inclusivamente em 1969 terá sido a última vez que a falha de Goringe e placa do vale do Tejo, se terão movimentado de tal forma a provocar um sismo com magnitude entre 6,5 e 7,5. Mas sobre isto, ninguém se preocupa. Ninguém comenta da necessidade de haver uma mala de 1.º socorros e utensílios de emergência para salvaguardar uma casa ou uma família em caso de Terremoto, Cheia, Tempestade ou alguma outra calamidade. Ter alimentos não perecíveis em stock, de forma à familiar poder sobreviver durante 3 ou mais dias sem precisar de sair para comprar comida ou no caso de não haver comida para se comprar. 
Não vi alguém preocupar-se com isso, nem campanhas publicitárias a tentar reforçar periodicamente esta necessidade, a não ser em breves parágrafos nas páginas de livros de Estudo do Meio. Contudo, como agora o tema mais conflituoso e mais mediático são os Refugiados, o Terrorismo e os Nacionalismos a fervilharem com a necessidade da defesa de cada nação, já temos tempo para um "Pack Refugiado" e segundo percebi, até com SMS enviadas a Encarregados de Educação.
 
Enfim, PARECEU-ME MAL !!! 
Mas muito possivelmente, ainda voltarei a este assunto visto que às horas da madrugada a que estou a escrever este Tópico e a agendar a sua publicação, já não escrevo coisa com coisa... penso que será melhor ir dormir e deixar descansar a cabeça.     

domingo, 18 de outubro de 2015

Momento de Reflexão . . . Testes de Deus, Milagres de Deus ou Acasos Maliciosos?

Sou Cristão. Normalmente não abordo muito este tipo de assuntos, seja ao vivo, seja em blogs, facebook, instagram e afins. Ainda faço parte daquele tipo de pessoas que acha que é "desnecessário" que o público em geral saiba constantemente aquilo que realmente me move, me motiva e me dá força para ir mais além.
Normalmente tenho de ter muita capacidade de diplomacia e muito estômago, para aceitar certos comentários que os "incrédulos" ou "infiéis" (hehehe isto faz-me lembrar algo), melhor chamar de Ateus... que adoram avacalhar com as coisas que alguns acreditam. 

É um facto que muitos crentes são uma autentica vergonha para o bom nome de Deus, no sentido que nem sequer sabem explicar o porquê de acreditar num Deus, e o facto de existirem outras pessoas a acreditarem noutros Deuses ou até no mesmo Deus, mas baseado em livros diferentes (alias, poucos Cristão têm noção que a Torah dos Judeus, está toda no Velho Testamento da Bíblia). Mas isso já vai sair do meu pensamento do dia.

Estava a olhar pela janela, e dei com uma aranha a trabalhar no patamar da janela. Com algum esforço lá percebi que a aranha estava a rodear um mosquito ou algo no género, com o seu fio. Ela rodava diversas vezes o animal, umas vezes no sentido do relógio, outras vezes no sentido contra-relógio. Ela fazia isso vezes e vezes sem conta, enquanto o outro animal lutava para se soltar daquela situação. Foi aí que me senti no lugar do Deus Hebreu, do Deus Cristão Evangélico, do Deus Católico, do Deus Muçulmano, olhando para duas criaturas degladiando-se pela sua sobrevivência... uma com fome, outra aflita pela sua vida.
Se fizermos uma analogia entre a aranha e o mosquito, podemos ver a aranha como o Diabo, "O DIABO, vosso adversário, anda EM DERREDOR, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resistí firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.". Então o mosquito seria o Crente em Deus, sujeito aos tormentos do Mundo e aos sofrimentos que o afligem a cada dia. O mosquito na sua armadilha letal, terá de lutar pelos seus meios e muitas vezes acreditando ou tendo fé em Deus e que Deus lhe dá força e motivação suficiente para não desistir e não perecer, uma vez que não tem nada mais onde se agarrar para sobreviver.

Se formos ao Alcorão podemos encontrar a frase que: “Ele possui as chaves do incognoscível, coisa que ninguém, além d"Ele, possui; Ele sabe o que há na terra e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja registado no livro lúcido” (6ª Surata versículo 59).

Já na Bíblia podemos encontrar as diversas referências ao conhecimento de Deus e ao seu poder de intervenção perante o Universo, inclusivamente a forma como "O ANJO DO SENHOR acampa-se AO REDOR dos que o temem, e OS LIVRA.", para proteção do Crente.  

É aí que entra o Milagre e a forma como nós vemos a Intervenção Divina... neste caso, se EU interferisse no normal desenvolvimento do episódio: salvando o mosquito ou não, eu seria a Intervenção Divina (divinitatis). Se tudo o que acontece no Universo é feito pela mão de Deus, então tudo o que acontece normalmente, já será um milagre... mas aí já não vamos bem ao encontro do significado da palavra "Milagre" - "miraculum" - do verbo mirare ou seja "maravilhar-se". A não ser que tenhamos de passar a vida maravilhados até pelas pedras do chão e pelas nuvens no céu... o que até não parece uma ideia assim tão errada.

Assim sendo, na minha opinião tendo Deus criado o Universo e assim, todas as regras que regem o Universo (a lei da Gravidade, a lei de Lavoisier, a lei da Relatividade, etc), então os Milagres serão maravilhas que acontecem ao serem quebradas essas leis que regem esse Universo. E para fazer isso, só mesmo Deus para fazer tal acontecer fora das regras estabelecidas.

E no final... o Mosquito e a Aranha... foram levados pelo vento, do lado de fora de janela...

A Aranha esqueceu-se de se fixar à mármore e ambos foram levados pelo vento. 


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